20080518
Tinha desistido de viver, durante anos. Não sabe bem porquê. Era a força do hábito. Conhecia-se bem, o seu inflamável potencial. Nem sabe bem se preferiu. Nem sabe o que preferiu. Foram partículas a dançar ao sabor do vento. Inertes vontades, apenas destiladas com muito tempo em cima. Quando finalmente descobriu que não precisava de vontade para parar o vento, para parar o tempo... A vontade já existia. Faltava apenas libertar esse medo inibitório. Medo de quê?, perguntava-se. Medo de ser, de morrer, mas morrer no sentido lato da palavra, metafórico. Tinha medo de sufocar, deixar de ver. E logo ele, que apreciava tanto a visão desimpedida.
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